Um acidente com asa-delta terminou em tragédia no mar de São Conrado, na Zona Sul do Rio, na manhã deste sábado (21). O instrutor Rodolfo Pascoal Ladeira morreu no local após a queda, e a turista norte-americana Jenny Colon Rodriguez chegou a ser socorrida em estado gravíssimo, mas não resistiu depois de ser levada ao Hospital Municipal Miguel Couto.
A ocorrência mobilizou equipes de resgate e reacende um debate que, no Rio, costuma aparecer apenas quando vidas já foram perdidas: o quanto a atividade de voo livre está sendo efetivamente fiscalizada em um dos pontos mais conhecidos do país, cercado por mar, pedras e grande circulação de banhistas.
Em áreas como São Conrado, o turismo de aventura é vendido como experiência “segura” e “inesquecível”. Mas segurança não pode ser slogan. Ela depende de regras claras, checagem de equipamentos, limites operacionais e responsabilização. Quando uma aeronave sem motor cai no mar e duas pessoas morrem, a pergunta óbvia é: o que falhou antes do impacto? Condição do equipamento? Critérios para decolagem? Avaliação meteorológica? Rotinas de manutenção? Supervisão de operadores? Tudo isso precisa sair do campo das suposições.
A investigação foi registrada na 15ª DP (Gávea), com acionamento de perícia. A expectativa é que a apuração identifique, com transparência, se houve imprudência, negligência, falha técnica ou combinação de fatores. Também é essencial que os órgãos competentes, incluindo a Anac, atuem com rigor: não basta “ser acionada” depois do desastre; é preciso presença preventiva, com auditorias e controle real sobre a operação comercial de voos duplos, especialmente em locais que movimentam turistas diariamente.
O Rio não pode normalizar acidentes como “risco do esporte”. Risco existe, mas gestão de risco é obrigação — de operadores, entidades, poder público e reguladores. Se a cidade quer se posicionar como referência
Escreva um comentário