Argélia e Áustria protagonizaram um dos finais mais emocionantes da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. Neste sábado, as seleções empataram por 3 a 3, em Kansas City, garantiram classificação ao mata-mata e eliminaram o Irã da disputa.
O resultado foi bom para os dois lados. A Áustria terminou em segundo lugar no Grupo J, enquanto a Argélia avançou como uma das melhores terceiras colocadas da competição.
O empate, que poderia parecer conveniente antes da bola rolar, foi conquistado em uma partida cheia de viradas, tensão e gols nos acréscimos. Longe de um jogo acomodado, o duelo teve emoção até o último lance.
A carga simbólica também era enorme. Argélia e Áustria não se enfrentavam em Copas desde 1982, quando o polêmico episódio conhecido como “Vergonha de Gijón” marcou a eliminação argelina após um resultado conveniente entre Áustria e Alemanha Ocidental.
Mais de quatro décadas depois, o reencontro carregava memória, revanche e expectativa. Curiosamente, novamente um empate acabou classificando a Áustria e impactando a vida de outra seleção, desta vez o Irã.
Dentro de campo, a Áustria saiu na frente. Marko Arnautovic abriu o placar e colocou os europeus em vantagem, aumentando a pressão sobre a Argélia, que precisava pontuar para seguir viva.
A resposta argelina veio ainda no primeiro tempo. Rafik Belghali aproveitou um lance incomum, em bola que desviou de forma curiosa perto da linha de fundo, e deixou tudo igual, recolocando os africanos na briga.
O empate deu novo ânimo à Argélia. A seleção passou a competir melhor no meio-campo e mostrou que não estava disposta apenas a administrar um resultado possível, mas a buscar sua vaga com personalidade.
A Áustria, porém, voltou a ficar à frente. Marcel Sabitzer apareceu em momento importante e marcou o segundo gol europeu, deixando a equipe novamente em posição confortável na tabela.
Com o 2 a 1, a seleção austríaca se aproximava da segunda colocação do grupo. A Argélia, por outro lado, passou a viver uma situação delicada, já que a derrota poderia tirá-la da zona dos melhores terceiros colocados.
O segundo tempo teve momentos de cautela, mas nunca perdeu completamente a tensão. As duas equipes sabiam que um ponto poderia ser suficiente, mas também entendiam que qualquer erro poderia custar a classificação.
A Argélia buscou o empate com insistência. Riyad Mahrez, uma das principais referências técnicas da equipe, apareceu em momento decisivo para recolocar os argelinos no jogo.
O gol aumentou o drama e mudou novamente o cenário. Com o 2 a 2, as duas seleções estavam classificadas, enquanto o Irã ficava fora da disputa por vaga entre os melhores terceiros.
A reta final, porém, ainda reservava uma reviravolta. Nos acréscimos, Mahrez voltou a aparecer e marcou o terceiro gol argelino, virando a partida e levando a torcida africana ao delírio.
Por alguns instantes, o cenário mudou completamente. A Argélia passava à frente, a Áustria ficava ameaçada e o Irã voltava a alimentar esperança de classificação dependendo dos critérios de desempate.
Mas a resposta austríaca foi imediata. Já no último suspiro da partida, Sasa Kalajdzic, que havia acabado de entrar, subiu para marcar de cabeça e decretar o empate por 3 a 3.
O gol de Kalajdzic mudou tudo outra vez. A Áustria recuperou a segunda colocação, a Argélia voltou a ficar com uma vaga entre os melhores terceiros e o Irã viu sua eliminação ser confirmada.
O apito final provocou reações opostas espalhadas pelo torneio. Austríacos e argelinos celebraram a classificação, enquanto os iranianos ficaram pelo caminho depois de uma campanha marcada por frustração e resultados insuficientes.
A Áustria terminou o Grupo J em segundo lugar. Com isso, terá pela frente a Espanha na fase seguinte, em um confronto de alto nível e com favoritismo espanhol.
A Argélia, por sua vez, avançou em terceiro. A seleção africana enfrentará a Suíça no mata-mata, carregando a confiança de quem sobreviveu a uma das partidas mais dramáticas da competição.
O resultado também encerrou a fase de grupos com enorme dose de emoção. Depois de tantas contas, simulações e cenários possíveis, Argélia e Áustria encontraram no empate um caminho comum para continuar no Mundial.
Para o Irã, a eliminação foi especialmente amarga. A seleção dependia de uma combinação que quase aconteceu nos acréscimos, mas acabou sendo derrubada pelo último gol austríaco.
O jogo ainda ficará marcado pela ironia histórica. Em 1982, a Argélia foi vítima de um resultado que beneficiou Áustria e Alemanha Ocidental. Em 2026, participou de um empate que a classificou e eliminou outra seleção.
No fim, Argélia e Áustria avançaram juntas, mas sem qualquer clima de acomodação. O 3 a 3 teve drama, virada, empate no último lance e impacto direto na Copa. Um resultado bom para os dois, mas construído em uma noite de pura tensão.
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