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Pedro Figueiredo: das quadras de basquete de Campo Grande para o mundo

Com apenas 16 anos, jovem talentoso é destaque na Europa e segue trajetória rumo à seleção e à NBA

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Jupy Junior
Especial para a TV ORO e Grupo Pra

“Mas é só um menino bem alto!”, poderia logo pensar quem visse Pedro Lucas Souza Figueiredo, digamos, no Park Shopping, em Campo Grande, tomando sorvete com a família composta pelo pai, Leonardo (advogado); a mãe, Caroline (terapeuta), e a irmã, Valentina, de 6 anos, quase todos morando no mesmo bairro. Definitivamente, não é “só um menino bem alto”, e não é uma família convencional. Pedrinho, como é carinhosamente chamado, não mora com eles, apesar de ter apenas 16 anos. Ele é um fenômeno do esporte, e tudo começou na zona oeste do Rio de Janeiro, no maior bairro do Brasil.

Ele já faz sucesso no basquetebol europeu: seu modo elegante e eficiente de jogar, sua técnica perfeita de arremesso e sua desenvoltura incomum para a (pouca) idade e para os seus 1,97m de altura (2,10 de envergadura) o colocam hoje não como uma promessa do Brasil no basquete mundial, mas como uma realidade. Armador (e às vezes ala-armador) do Saski Baskonia desde 2024, ele acumula excelentes números, elogios dos técnicos e segue firme rumo aos melhores campeonatos e – quem sabe – o Olimpo da modalidade: a National Basketball League (NBA) nos Estados Unidos, e, como não poderia deixar de ser, à Seleção Brasileira.

Tímido e concentrado, e, segundo os técnicos, com aptidão para aprender, Pedro começou os primeiros dribles com inacreditáveis 7 anos de idade. Foi uma determinação gigante do pai, quase literalmente: Leonardo – o “Leozão” para a galera do basquete – tem 1,98m e este repórter lembra bem, pois o conheceu na condição de ambos de “basketeiros”, que, para quem não é adepto do esporte, cabe uma breve explicação: são os aficionados que jogam basquete sempre que podem, e, assim que acaba o jogo em uma quadra, correm para a outra. Nem sempre com muita técnica, nem sempre em boas quadras, mas com uma paixão avassaladora que, graças ao instinto natural de seres humanos, ajuda a criar comunidades do qual Pedrinho, sem dúvida, é fruto.

No Baskonia, segunda equipe que ele defende na Espanha: armador de 1,97m; precisão nos 3 pontos e habilidade em infiltrações despertaram interesse dos dirigentes (Foto: Arquivo Pessoal)

Pois foi em um condomínio em Campo Grande que Pedro quicou uma bola de basquete pela primeira vez. Graças ao pai, que hoje vive a paixão triplicada: basquete, o filho e o filho jogador talentoso. É de uma curiosidade encantadora o filho ser o jogador que o pai não foi, e para quem acompanhou o pai nas quadras da vida, ver o filho brilhando na Espanha, participando de títulos e recebendo prêmios é mais do que recompensador: é emocionante.

Aos 7 anos de idade, Pedro entrou para a Escobase, uma escolinha-time que funciona no Colégio Santa Bárbara (instituição privada), em Campo Grande, que definitivamente merece alguma atenção no que diz respeito a talentos do basquete. Foi no bairro que a pivô Erika Souza, que se consagrou na seleção brasileira e jogou na Liga Americana Profissional (WNBA), fez as primeiras cestas.

A Escobase já revelou dois talentos: Luiz Henrique Sousa Ferreira (o Ferrugem), joga hoje na Liga Brasileira Masculina (NBB) pelo Pato Basquete (do Paraná); e Sara Martins jogou na LBF (o equivalente da NBB para as meninas) pelo São José dos Campos (SP) e atua na Seleção Brasileira sub-15 e sub-16.

Pedrinho na Escobase, em Campo Grande, com apenas sete anos: técnicos já apontavam diferenciais importantes (Arquivo Pessoal)

O técnico Serjão, que é pai de Ferrugem, lembra de Pedro naquela época: “Sempre foi um menino com muita habilidade, uma inteligência acima do comum para a sua idade. Sempre muito focado e disciplinado, condições importantes para ter sucesso nesse esporte. Além disso, tem uma habilidade nata”.

De fato, quem assiste em vídeo as jogadas de Pedro em alguns campeonatos que participou, entende logo o motivo pelo qual diversos clubes se interessaram por ele desde cedo. Incomum para a sua idade e altura, a versatilidade e a criatividade, além do controle postural, faz dele um armador com muitas armas: arremessa bem de três pontos; sabe definir no contra-ataque e conduzir a bola; faz infiltrações surpreendentes e também enterra: qualidades de um jogador completo.

O primeiro grande clube a contratá-lo foi o Botafogo, em 2016. Em 2019, foi o Flamengo quem adquiriu seu passe. Na ocasião, Leonardo-pai lutava para levá-lo e buscá-lo do treino. Era preciso superar a cansativa viagem de duas horas para ir e duas para voltar. Foi quando o Flamengo, percebendo o potencial do atleta, decidiu bancar despesas. Com apenas 13 de idade, Pedro ficou longe fisicamente da família pela primeira vez. Mudou de endereço, de colégio e de rotina, tudo em uma jogada só.

Lógico que foi um baque. Os pais precisaram conversar muito e pensar no futuro do menino, afinal, uma carreira no esporte pressupõe muitas renúncias e providências. “Não teve muito jeito, a gente viu que era isso que ele queria e tudo apontava para esse caminho”, conta o pai.

DO RJ PARA A ESPANHA

Pedro estava no Flamengo quando o empresário Alexandre Bento começou a receber sondagens de clubes paulistas e espanhóis. Leonardo e Pedro foram para a Espanha para conversar com dirigentes. Encantaram-se com a cidade de Valência.

Decidiram-se então por fechar contrato, em 2022, para Pedro (com 13 anos) atuar no clube que leva o nome da cidade espanhola. Ele jogou duas temporadas (2022/2023 e 2023/2024) e em duas categorias: sub-15 e sub-18, como armador ou ala-armador.

Houve um período de adaptação ao idioma, à alimentação e à disciplina geralmente exaustiva para um atleta que trilha o caminho do esporte de alto desempenho, ainda mais para um garoto tão jovem.

Mas, ao que tudo indica, valeu a pena. Foram muitas vitórias: títulos regionais, nacionais e individuais. Pedro foi escolhido um dos integrantes do quinteto ideal de um dos torneios mais importantes do mundo.

Não custa lembrar, a Espanha é tricampeã europeia (2009, 2011 e 2015), bicampeã mundial (2006 e 2019) e vice-campeã olímpica (1984, 2008 e 2012). Com milhares de fãs e consagrados no topo do basquete mundial, os espanhóis Marc Gasol, Pau Gasol, Juan Carlos Navarro, Felipe Reyes e Rudy Fernández mantêm o encantamento pelo basquetebol espanhol. E Pedro, o garoto de Campo Grande da zona oeste carioca, convive já há três anos neste contexto.

Em 2024, Pedro assinou seu segundo contrato internacional, também na Espanha, com o Saski Baskonia. Ele encerrou a temporada 24/25 com o título regional e o 5º lugar no nacional, ambos na categoria Sub-18.

Ele é destaque absoluto na Espanha. O site espanhol Noticias de Ávila noticiou este ano que Pedrinho foi o único jogador do Baskonia convidado para participar do Basketball Without Borders (BWB – Basquete sem Fronteiras), um programa colaborativo de desenvolvimento global e de relações comunitárias entre a FIBA e a NBA, com o objetivo de levar conhecimentos de basquete de elite e oportunidades de desenvolvimento para atletas com potencial internacional. O BWB acontece entre 30 de maio e 2 de junho, em El Salvador.
O site ressalta os excelentes números da última temporada: 8,7 pontos; 2,8 rebotes e 1 assistência em quase 20 minutos de média em quadra.

Pedro acumula conquistas importantes: é bicampeão Valenciano sub-15 e sub-16 (2022/2023 e 2023/2024); foi ⁠convocado para a seleção regional da comunidade Valenciana para o Nacional de seleções regionais, onde conquistou em 5º lugar; e recebeu o prêmio de integrante do quinteto ideal no torneio de San Vicent de Montalt.

O garoto de Campo Grande foi longe e continua a progredir.

ADAPTAÇÃO

“Estamos muito orgulhosos da valentia dele e do que ele vem conquistando. Ficamos muito felizes ao perceber que ele está encaminhado e, mesmo sendo tão novo, estar decidido quanto ao que quer fazer da vida”, diz o pai Leonardo.

Lógico que não só Pedro teve que se adaptar: a família passou perrengue para acompanhar a rígida rotina de um atleta de alto nível, mesmo sem ser (ainda) na categoria adulta. Isto porque Pedrinho não é mais uma possibilidade, é uma realidade, é um jogador que está em evolução para galgar os mais elevados postos da modalidade.

Segundo o pai, ele conseguiu vencer a barreira do idioma e se adequou à escola.

Financeiramente, o clube garante tudo o que ele precisa.

A família funciona em fuso horário diferente de Campo Grande, onde ainda vivem: acordam todos às 3h para dar bom dia ao jogador (são 5 horas a mais em Valência em relação ao Brasil). E seguem durante todo o dia, até que ele vá dormir, hoje sem caírem pelas tabelas (literalmente) de sono, como acontecia no início.

Pedro volta ao Brasil em junho próximo, pois julho e dezembro são as férias escolares. É quando ele tem algum refresco para rever a família e visitar a comunidade basketeira do qual o pai – e este repórter – fazem parte. Com muito orgulho, vibração, alegria e churrasco, como aconteceu na última vez, no final de 2024.

PLANOS E MAIS PLANOS

O sucesso de Pedro na Espanha, acreditam aqueles que entendem de formação de base, é só o começo.

Em uma clínica promovida por entidades ligadas à NBA, houve uma leve sondagem, mas a família se decidiu pela Espanha.

Pedro sonha em chegar à NBA e defender a Seleção Brasileira. Preparadores físicos da seleção têm o hábito de se informar com colegas do Baskonia para não perderem o bonde das condições dele.

Não custa lembrar que alguns brasileiros já alcançaram essa glória: Rolando (jogou até 1989); Pipoka; Nenê Hilário; Alex Garcia; Leandrinho; Raulzinho; Marcelinho Huertas, Tiago Splitter e Anderson Varejão são os mais conhecidos.

O ala Gui Santos, de 22 anos, é o único brasileiro na temporada 2024-25 da NBA. O jovem atua pelo Golden State Warriors e é companheiro de Stephen Curry e agora de Jimmy Butler.

Porém, a meta mais imediata de Pedrinho é integrar a equipe adulta do Baskonia para competir pelo título da Euroliga.

Por causa da altura e da desenvoltura, Pedrinho se acostumou a disputar campeonatos em categorias superiores à sua. Por isso, parece natural o caminho de jogar pelo adulto desde bem cedo.

É um objetivo que parece apenas mais uma etapa na trajetória de um jogador que pode e provavelmente trará muitas glórias para o Brasil.

Isto porque, em Campo Grande, nas quadras de basketeiros que conhecem as raízes, Pedro enche de orgulho quem mantém uma duradoura e inegociável paixão pela bola na cesta.

VÍDEOS COM JOGADAS DO PEDRO

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