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Ilha dos Gatos chama atenção nas redes, mas realidade expõe abandono animal em Mangaratiba

Fenômeno no TikTok reacende debate sobre crime ambiental e situação dos felinos isolados em ilha da Costa Verde

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O que parece um paraíso visual, na verdade, esconde uma realidade preocupante. A Ilha dos Gatos, que viralizou no TikTok nos últimos dias com vídeos de felinos correndo pelas pedras à chegada de embarcações, fica localizada na Baía de Angra dos Reis, em Mangaratiba, e tem sido alvo de atenção nacional não apenas pela beleza, mas pelo alerta que carrega: abandono animal.

A região, originalmente chamada de Ilha Furtada, ganhou o novo nome após episódios de abandono se repetirem ao longo das décadas. O caso mais simbólico remonta à década de 1950, quando uma família teria tentado morar no local levando seus animais de estimação. A tentativa fracassou e os humanos voltaram ao continente, mas deixaram os gatos para trás. Desde então, outros visitantes passaram a abandonar animais no local.

Estima-se que entre 400 e 750 gatos vivam hoje na ilha, sem qualquer tipo de abrigo humano fixo. O cenário levou grupos de voluntários, como os Veterinários na Estrada, a iniciar ações regulares para ajudar os animais com castrações, monitoramento e alimentação. As iniciativas visam conter o crescimento desordenado da população felina, que vive isolada e sem cuidados veterinários contínuos.

Apesar de toda a repercussão, o caso envolve crime ambiental, previsto no artigo 32 da Lei nº 9.605/1998. O abandono de animais é passível de detenção de dois a cinco anos, multa e proibição de guarda de novos animais. Em alguns casos, até a cassação do direito de dirigir pode ser aplicada, dependendo da circunstância.

“É triste ver que as pessoas vêm para cá deixar esses bichinhos. Isso não é bom para o gato e nem para os animais que já estão na ilha e fazem parte deste bioma”, disse Fabrício Souza, autor de um dos vídeos que viralizou na rede.

A ilha fica a oito quilômetros da costa de Mangaratiba e se tornou símbolo de como o turismo inconsequente e a falta de educação ambiental podem transformar um ponto turístico em um alerta sobre maus-tratos.

O apelo agora é para que a repercussão traga não apenas visibilidade, mas também políticas públicas de proteção e responsabilização dos culpados. A beleza natural, por si só, não justifica o abandono.

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