A Polícia Civil do RJ afirma que policiais militares forjaram uma apreensão de drogas na Zona Norte do Rio após um acordo com a cúpula do Comando Vermelho (CV). O caso aparece no inquérito que embasou prisões na Operação Contenção Red Legacy.
A Operação Red Legacy trouxe novos detalhes nesta quarta-feira (11) após a Polícia Civil do Rio apontar que policiais militares forjaram uma apreensão de drogas na Zona Norte da capital. Segundo a investigação, a encenação teria ocorrido após um acordo com integrantes da cúpula do Comando Vermelho (CV).
De acordo com o inquérito da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), o então comandante da 13ª UPP/16º BPM (Penha), major Hélio da Costa Silva, teria feito contato em 13 de março de 2025 com Washington Cesar Braga da Silva, conhecido como Grande. Ele é apontado como braço direito do traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, citado como um dos chefões do CV.
Ainda segundo a apuração, o major teria solicitado entorpecentes para simular uma ocorrência policial. A justificativa, conforme a Polícia Civil, seria a cobrança por metas de produtividade pela Coordenação de Polícia Pacificadora (CPP).
Operação Red Legacy: como a polícia descreve a “encenação”
A falsa apreensão teria ocorrido em 19 de março de 2025, na Rua Iracema, na Penha, a cerca de 500 metros da sede da UPP. A investigação afirma que o tráfico usou um Tiggo roubado em 30 de janeiro de 2025, em Duque de Caxias. O veículo teria sido abandonado no ponto combinado, com drogas e um simulacro de fuzil AR-15 desmontado.
No registro feito na 22ª DP, os sargentos Rodrigo Paiva Lopes e Thiago Monteiro Gomes Marcelino relataram que estavam em patrulhamento quando foram alvo de disparos e que revidaram com cerca de 20 disparos de fuzil calibre 7,62 mm. A ocorrência foi registrada como tentativa de homicídio, e o veículo teria sido deixado com o material.
A Polícia Civil diz que a versão não se sustentou com as provas reunidas. O inquérito afirma que, após a apreensão, Grande enviou a Doca um vídeo com policiais exibindo a droga e o simulacro e informou que o major teria “agradecido”. Um laudo pericial, segundo a investigação, indicou compatibilidade entre o volume autorizado e o total apreendido: mais de 60 quilos de maconha e 2 quilos de cocaína.
A polícia afirma também que o local não foi preservado para perícia e que o carro foi liberado como recuperado, o que poderia ter evitado exames papiloscópicos. Para a investigação, o episódio integra um esquema de “troca de favores”, com simulação de eficiência operacional em troca de tolerância e proteção a atividades criminosas.
Os citados foram indiciados por tráfico de drogas, associação para o tráfico, corrupção passiva e fraude processual. As defesas não haviam se manifestado até a última atualização da reportagem.
Fonte: G1
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