O Tribunal do Júri da Capital condenou Pedro Paulo Gonçalves Vasconcellos da Costa e Eliane Gonçalves Vasconcellos da Costa pela morte da dubladora Cristiane Louise de Paula da Silva, em caso ocorrido em Ipanema e com ocultação do corpo em Grumari.
A morte da dubladora Cristiane Louise de Paula da Silva, conhecida por dar voz à personagem Margarida, da Disney, teve um novo desdobramento na Justiça. Nesta quarta-feira (11), o I Tribunal do Júri da Capital condenou Pedro Paulo Gonçalves Vasconcellos da Costa, economista, e a mãe dele, Eliane Gonçalves Vasconcellos da Costa, pelos crimes de feminicídio e ocultação de cadáver.
Pedro Paulo recebeu pena de 20 anos e seis meses de prisão. Já Eliane foi condenada a 21 anos e seis meses. A sentença ocorreu após denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
De acordo com o MP, o crime aconteceu em julho de 2021, no apartamento da vítima, na Rua Joaquim Nabuco, em Ipanema, na Zona Sul. A acusação sustenta que Pedro Paulo atacou Cristiane dentro do imóvel com um instrumento perfurocortante, atingindo o pescoço e provocando uma hemorragia que levou à morte. Em seguida, segundo o MP, ele contou com ajuda da mãe para ocultar o corpo, abandonado em uma área de vegetação em Grumari, na Zona Oeste.
Morte da dubladora: o que o júri considerou
Durante o julgamento, o Conselho de Jurados acolheu integralmente a tese do MPRJ de que o crime teve motivo torpe, foi cometido com meio cruel e ocorreu em contexto de violência de gênero, o que caracterizou o feminicídio.
A denúncia aponta ainda que vítima e acusado mantinham amizade desde que se conheceram durante uma internação em uma clínica psiquiátrica. Para o MP, Cristiane vivia um relacionamento abusivo, em que os acusados teriam se aproveitado de sua fragilidade mental para obter vantagens financeiras, com o objetivo de se apropriar de bens, incluindo o apartamento onde ela morava.
A investigação informa que Pedro Paulo foi preso em agosto de 2021 pela Delegacia de Homicídios da Capital. Na época, ele confessou o crime, mas alegou legítima defesa, versão descartada pelos investigadores. O relato à polícia menciona o uso de um cálice quebrado no ataque. A apuração também apontou que o corpo foi colocado em sacos plásticos e lençóis e levado até Grumari. Na casa de Eliane, policiais encontraram computadores e celulares que pertenciam à vítima, segundo a investigação.
Cristiane Louise tinha 49 anos e trabalhava como dubladora desde 1994, com atuação em produções de animação e televisão.
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