Votação de requerimentos envolvendo filhos de ministros e ex-ministros é bloqueada em sessão marcada por forte tensão partidária
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS viveu uma sessão tumultuada nesta semana, resultando no bloqueio de importantes requerimentos de quebra de sigilo bancário e fiscal. Entre os pedidos barrados estavam investigações sobre o Banco Master e figuras ligadas a diferentes espectros políticos, incluindo o filho do ministro aposentado do STF, Ricardo Lewandowski, e o ex-ministro da Previdência, Onyx Lorenzoni, além de seu filho, Pietro Lorenzoni. A decisão de travar essas votações expõe o racha interno e as alianças de conveniência que dominam o colegiado.
A oposição e parte dos membros independentes criticaram duramente o que chamaram de “blindagem seletiva”. Os requerimentos também miravam empresas de Roberta Luchsinger, conhecida por sua proximidade com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Para os defensores das quebras de sigilo, os dados seriam cruciais para entender como supostas fraudes no sistema previdenciário e movimentações financeiras atípicas poderiam estar conectadas a influências políticas de alto escalão. “Sem o acesso aos dados, a CPMI corre o risco de se tornar uma investigação de fachada”, alertou um dos relatores adjuntos.
A justificativa para o bloqueio, segundo os parlamentares que votaram contra, foi a falta de “fato determinado” ou indícios robustos que justificassem uma medida tão invasiva contra pessoas que, em tese, não possuem cargos públicos diretos no momento. O Banco Master, que também teve seu sigilo preservado nesta rodada, continua sendo o ponto de maior atrito, com auditores e parlamentares divergindo sobre o papel da instituição na liquidação de ativos e repasses a escritórios de consultoria. Com o travamento dessas pautas, a CPMI entra em uma fase de incerteza, onde a pressão popular e as negociações de bastidores definirão se a investigação terá fôlego para avançar sobre os nomes de maior peso político.
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