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Bombeiro é encontrado morto em Teresópolis e expõe o “mal silencioso” na tropa: saúde mental vira alerta nas Forças Auxiliares do RJ

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Por Grupo Pra

A morte de um bombeiro militar em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, trouxe à superfície um tema que costuma ficar abafado pela rotina operacional e pela cultura do “aguenta firme”: o impacto da saúde mental sobre militares da ativa nas Forças Auxiliares — Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.

De acordo com um texto que circula em imagem nas redes, o sargento Douglas Marques, de 35 anos, lotado no 16º GBM, foi encontrado sem vida com ferimento de bala na região da Quinta da Barra. O conteúdo afirma que há informações preliminares apontando para possível suicídio, mas ressalta que as autoridades seguem investigando as circunstâncias. Ainda segundo o texto, equipes do Corpo de Bombeiros teriam tentado manobras de reanimação no local, e a área foi isolada para perícia.

O caso, ainda sob apuração, reacende uma pergunta que vai além de um episódio isolado: quantos sinais de sofrimento emocional permanecem invisíveis dentro da farda até virarem tragédia?

A dor que não aparece na escala

Bombeiros e policiais vivem sob exposição contínua a situações-limite: morte, acidentes graves, resgates em condições extremas, violência urbana, pressão por resposta rápida. O corpo volta para casa, mas a mente nem sempre “desliga”. Em muitos casos, o desgaste se acumula de forma silenciosa: alterações do sono, irritabilidade, ansiedade, tristeza persistente, isolamento, abuso de álcool e dificuldade de pedir ajuda.

Especialistas e estudos que acompanham o tema apontam que há um componente cultural que pesa: em ambientes militares, admitir vulnerabilidade ainda pode ser entendido como fraqueza. O resultado é um ciclo perigoso: o profissional sofre, evita falar, teme julgamento — e adia o cuidado.

O que os dados do RJ indicam

Embora o caso de Teresópolis envolva o Corpo de Bombeiros, parte dos dados com maior transparência pública recente está na Polícia Militar. Uma nota do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) destacou que, na PMERJ, houve 15 suicídios em 2024, número apontado como o maior desde 1995. O mesmo material menciona 2.732 licenças por transtornos psiquiátricos e 1.927 afastamentos da atividade operacional/porte por questões de saúde mental, com aumento em relação ao ano anterior.

Em paralelo, referências ao Anuário Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e a compilações citadas pela Fundacentro e pelo IPPES reforçam que o suicídio entre profissionais da segurança pública é um problema nacional, com variações por estado e dificuldades de notificação. Para bombeiros militares, aparecem percentuais menores em alguns recortes — o que pode refletir tanto diferenças de efetivo quanto subnotificação e falta de padronização.

Por que o bombeiro costuma ficar fora do debate

Quando se fala em saúde mental na segurança pública, o foco frequentemente recai sobre a polícia. O bombeiro, apesar de lidar diariamente com tragédias e perdas, muitas vezes fica à margem das discussões, com menos dados públicos e menos visibilidade. Isso não significa menor risco — significa, muitas vezes, menos informação e menos debate aberto.

Uma reportagem do g1 sobre políticas de prevenção mostrou, inclusive, que programas lançados no estado nem sempre incluem PM e Bombeiros desde o início, o que evidencia como o tema pode avançar de forma desigual dentro das corporações.

Enfrentar o “mal silencioso” exige mais do que campanha

Para reduzir o risco, especialistas defendem medidas contínuas, como:

  • atendimento psicológico e psiquiátrico acessível e sem estigma;
  • protocolos de prevenção e acompanhamento pós-crise (posvenção);
  • capacitação de lideranças para identificar sinais e acolher;
  • registros padronizados e transparência por corporação (ativa e inativos).

A morte em Teresópolis, ainda sob investigação, não deve ser usada para conclusões precipitadas — mas pode e deve servir como alerta: saúde mental também é prontidão. E silêncio, dentro e fora do quartel, custa caro.

Se você está em sofrimento ou conhece alguém em risco, procure ajuda. CVV: 188 (24h). Em emergência, ligue 192 (SAMU)190 ou 193.

Fontes: texto em imagem compartilhado nas redes (sem confirmação oficial pública no próprio conteúdo); MPT-RJg1 RJFundacentroAnuário Brasileiro de Segurança Pública (FBSP)LAV-UERJ (PDF).

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