O Pênalti que marcou a carreira de Zico
Há 40 anos, em 21 de junho de 1986, o Brasil enfrentava a França no Estádio Jalisco, em Guadalajara, durante as quartas de final da Copa do Mundo no México. O que se seguiria seria um dos momentos mais marcantes da história do futebol brasileiro, protagonizado por Zico, o lendário camisa 10 que carregava as esperanças de uma nação inteira.
Zico era a maior esperança do Brasil para conquistar o título mundial após a seleção deixar escapar a glória em 1982, na Espanha. Apesar de estar se recuperando de uma grave contusão no joelho, o ídolo do Flamengo não cogitou renunciar à oportunidade. Havia perdido duas copas anteriormente: em 1978, na Argentina, onde o Brasil foi eliminado na semifinal por saldo de gols, e em 1982, quando a seleção encantadora sucumbiu diante da Itália no memorável jogo da “tragédia do Sarriá”.
A delegação brasileira incompleta rumo ao México
A seleção que viajou para o México chegou sem dois dos maiores craques do momento. Renato Gaúcho foi cortado por indisciplina após uma noite de farra em Belo Horizonte, e Leandro, seu companheiro na boemia, preferiu renunciar à chance de ser campeão, solidário ao amigo. A ausência desses talentos enfraquecia o elenco, mas a equipe de Telê Santana ainda possuía qualidades significativas, com excelentes zagueiros como Branco e Edinho, e um meio-campo poderoso formado por Falcão, Sócrates e o próprio Zico.
A melhor atuação do Mundial brasileiro
Na primeira fase, a seleção foi praticamente impecável, vencendo Espanha, Argélia e Irã do Norte sem sofrer gols. Nas oitavas de final, demoliu a Polônia com um elástico 4 a 0. O confronto contra a França seria ironicamente a melhor atuação da seleção naquele campeonato. Quando Careca marcou aos 17 minutos do primeiro tempo com um balaço na entrada da área, o passeio parecia iminente. Contudo, Michel Platini empatou antes do intervalo.
O momento decisivo do pênalti
Zico entrou aos 28 minutos do segundo tempo e logo realizou um lançamento genial para Branco, que foi derrubado pelo goleiro Joel Bats dentro da área. Pênalti. Havia quem questionasse se Zico deveria bater: havia acabado de entrar e estava frio, fora de forma. Porém, quem mais teria o direito de cobrar um pênalti tão crucial? O melhor cobrador da equipe, aquele que treinava especificamente para isso. Zico bateu mal, quase no meio do gol, deixando fácil para Joel Bats defender e frustrando uma nação inteira.
O desfecho amargo nas penalidades
Com o empate no tempo regulamentar, a partida foi levada para a prorrogação de 30 minutos, que chegou ao fim sem alterações no placar. Na disputa de pênaltis, Zico converteu sua cobrança, mas Sócrates e Júlio César perderam os deles, eliminando o Brasil das quartas de final.
As palavras de Zico sobre o pênalti
No Estádio do Maracanã, após desembarcar no Brasil, Zico fez sua primeira declaração: “Errei, ora. Todo mundo tem direito de errar um dia. Infelizmente, minha falha pode ter significado a desclassificação, mas não fui o único a perder pênalti. Quero descansar e voltar ao Flamengo, pois a vida continua”. Ressaltou que o Brasil foi desclassificado nos pênaltis após 120 minutos de boa exibição.
Em 2013, aos 60 anos, Zico ofereceu uma resposta mais reflexiva e definitiva ao jornal O GLOBO. Reconheceu que a derrota de 1982 para a Itália doeu mais profundamente, pois o time tinha qualidade para ser campeão. Porém, o pênalti contra a França marcou sua carreira de forma indelével. Explicou que deveria ter batido contra a Polônia no jogo anterior e que tinha toda confiança do técnico Telê Santana, além de estar bem treinado. Ressaltou ainda uma verdade importante: “O Brasil não perdeu o jogo. Empatou e perdeu na disputa de pênaltis. E lá eu fiz o meu”.
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