Não é a primeira vez que o destino de Itaguaí encontra o Ministro Nunes Marques. Rubem Vieira já havia tentado obter com o Ministro, em setembro de 2024, uma liminar que o liberasse de problemas no registro de candidatura, origem do enorme entrave para o desenrolar político na cidade. Já em 2025, mais exatamente no último dia 11, foi o mesmo Nunes Marques que pediu vistas do processo e fez com que se adiasse, mais uma vez, a decisão do Colegiado sobre o Recurso de Rubão ao TSE.
Por isso vale dizer que a “convivência” do Ministro com o processo no qual Rubão faz uma apelação não é nova. É de exatamente seis meses.

O pedido de vistas do Ministro provoca o terceiro adiamento. A primeira sessão estava marcada inicialmente para o dia 4 de fevereiro, foi adiada devido à ausência do ministro Mendonça, que esteve em um funeral. Posteriormente, uma segunda data foi definida para 20 de fevereiro, mas o julgamento foi novamente cancelado, dessa vez pela falta da ministra Cármen Lúcia. Com a decisão, o processo segue sem desfecho, estendendo a incerteza que paira sobre a administração municipal.
Adiar a decisão aumenta a instabilidade política na cidade porque prolonga a indefinição sobre quem deve governar, enfraquece a confiança da população nas instituições e paralisa medidas essenciais para o desenvolvimento local. O processo se arrasta desde 2024, quando o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu a candidatura de Rubão, alegando que sua eleição configuraria um terceiro mandato consecutivo, o que é vedado pela Constituição. Desde então, a instabilidade política tomou conta da cidade, com a posse interina de Haroldo Jesus, presidente da Câmara Municipal, e seguidas tentativas da defesa do ex-prefeito para reverter a decisão.
Em meio a tantas idas e vindas, um termo jurídico ganhou destaque: o pedido de vista.
Mas o que isso significa na prática? A ORO TV – Grupo PRA explica para você.
O que significa Pedido de Vista?
O pedido de vista ocorre quando um ministro, após o voto do relator, solicita mais tempo para analisar o processo com profundidade antes de tomar sua decisão. No caso de Rubão, o ministro Cássio Nunes pediu vista do processo depois que o relator, André Mendonça, votou pelo indeferimento da candidatura.
De acordo com o Regimento Interno do TSE, o ministro que faz o pedido tem 30 dias para devolver os autos e permitir a continuidade da votação. Esse prazo pode ser prorrogado uma única vez, por mais 30 dias, desde que haja uma justificativa formal. Durante recesso ou férias, o prazo fica suspenso.
Por que o pedido de vista foi feito no caso de Itaguaí?
O pedido de vista é um instrumento essencial para garantir que decisões complexas sejam tomadas com responsabilidade e com base em uma análise detalhada. No caso de Itaguaí, a situação envolve questões sensíveis, como a acusação de que Rubão estaria tentando exercer um terceiro mandato consecutivo, o que é proibido pela legislação eleitoral.
Ao solicitar vista, o ministro sinaliza que precisa estudar melhor os argumentos da defesa e da acusação antes de definir seu posicionamento. Embora isso prolongue a indefinição, também garante que a decisão final será tomada com base em uma avaliação minuciosa.
Enquanto o julgamento não é retomado, a cidade segue em um cenário de incerteza política. De um lado, apoiadores de Rubão mantêm a esperança de que o pedido de vista abra espaço para uma reviravolta. Do outro, os adversários defendem a realização de novas eleições para trazer estabilidade e legitimidade à administração municipal.
Indefinição prejudica a Cidade
A demora na decisão do TSE prolonga a incerteza e traz prejuízos diretos para Itaguaí.
As disputas políticas nas redes sociais têm sido intensas. Apoiadores de Rubão afirmam que a decisão das urnas deve ser respeitada. Já os apoiadores de Donizete Jesus, segundo colocado nas eleições com 20.892 votos, argumentam que o empresário teve a maioria dos votos válidos e deve assumir a prefeitura de forma imediata. Por outro lado, apoiadores de Haroldo Jesus defendem que o interino permaneça no cargo de forma definitiva com a eleição suplementar.
O prefeito interino alerta que a população tem sido prejudicada por essa disputa prolongada. A insegurança política afeta a segurança dos prédios públicos, compromete a continuidade dos serviços essenciais e deixa servidores comissionados em uma situação provisória, agravando ainda mais o clima de incerteza na cidade.
A indefinição também abala a economia local, já que decisões importantes do governo ficam paralisadas, afastando investidores que não se sentem seguros para apostar no crescimento da cidade. O impasse ainda compromete o planejamento de políticas públicas e projetos estruturais: como organizar o futuro sem saber quem comandará o Executivo? Sem essa definição, torna-se quase impossível negociar grandes obras ou captar verbas estaduais e federais.
Além disso, o fim de um governo provisório pode deixar milhares de pessoas desempregadas, especialmente servidores comissionados que vivem a incerteza de permanecer ou não nos cargos. A falta de liderança definitiva nas secretarias interrompe o fluxo de trabalho, e cada setor, sem um secretário fixo, corre o risco de ter que recomeçar processos praticamente do zero, prejudicando a continuidade das políticas públicas e atrasando ainda mais o desenvolvimento da cidade.
Esse cenário de indefinição política coloca Itaguaí em um estado de vulnerabilidade administrativa, enquanto a cidade aguarda uma decisão definitiva do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
E agora?
A população de Itaguaí precisa acompanhar os próximos passos do julgamento com atenção. O pedido de vista não é um veredito, mas sim um momento de reflexão e análise. O desfecho pode vir dentro do prazo regimental ou se estender, caso o ministro solicite a prorrogação.
De qualquer forma, o que todos esperam é que a decisão final traga clareza, para que Itaguaí possa seguir seu caminho com segurança e estabilidade.
A ORO TV – Grupo PRA segue acompanhando o caso de perto para manter você informado. Fique ligado!
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