Home Brasil Rio de Janeiro Rio registra primeira morte por dengue em 2025: foco de mosquitos preocupa Zona Oeste
Rio de Janeiro

Rio registra primeira morte por dengue em 2025: foco de mosquitos preocupa Zona Oeste

Campo Grande, Santa Cruz e Centro lideram índice de infestação, enquanto vacinação enfrenta resistência

Compartilhar
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Compartilhar

Era uma manhã abafada na Clínica da Família Estácio de Sá, no Rio Comprido, Zona Norte, quando o alerta veio: o Rio de Janeiro confirmou a primeira morte por dengue em 2025. A vítima, um homem de 38 anos, morador de Campo Grande, na Zona Oeste, é o retrato de uma tragédia anunciada, fruto da proliferação do Aedes aegypti. O levantamento mais recente revelou focos do mosquito em 0,74% das amostras coletadas em 100 mil domicílios, com destaque negativo para Campo Grande, Santa Cruz e Centro.

O secretário municipal de saúde, Daniel Soranz, não escondeu a preocupação. Com 756 casos confirmados de dengue neste ano, o levantamento revelou que metade das infecções tem origem dentro das casas dos próprios moradores. Os maiores vilões? Vasos de plantas, lixo acumulado, calhas entupidas e caixas d’água destampadas.

São depósitos pequenos, do tipo que a gente não presta muita atenção, mas são os principais criadouros. Apesar de termos uma situação mais confortável que a do ano passado, isso não significa que podemos relaxar. A dengue continua sendo uma ameaça real, afirmou Soranz.

Os sintomas, como febre alta, dores pelo corpo e na região dos olhos, devem ser tratados com seriedade. Clínicas da Família e Centros Municipais de Saúde já dispõem de testes rápidos para diagnóstico e início do tratamento. Segundo Soranz, o Ministério da Saúde promete abastecer todas as unidades básicas até o final de março.

Outro desafio é a imunização. Cerca de 100 mil crianças e adolescentes, de 10 a 14 anos, ainda não tomaram a segunda dose da vacina contra a dengue, que deveria ter sido aplicada três meses após a primeira. Para o secretário, a baixa adesão é preocupante e o prazo para a segunda dose se encerra no dia 31 de janeiro.

A gente não pode mais esperar. Caso os pais não levem seus filhos, essas vacinas vão ser destinadas a outras faixas etárias. É inadmissível deixar doses paradas enquanto outras pessoas aguardam a oportunidade de se proteger, enfatizou Soranz.

Em Guaratiba, na Zona Oeste, onde o índice de infestação é o maior da cidade, a imunização já foi ampliada para moradores entre 18 e 59 anos. Quem vive em Ilha, Pedra e Barra de Guaratiba, áreas mais críticas, pode e deve buscar a vacina, destacou o secretário.

Enquanto a cidade tenta equilibrar combate ao mosquito, assistência aos doentes e avanço na vacinação, a sensação é de que o tempo joga contra. Com os números crescendo e a resistência à imunização, o Rio enfrenta, mais uma vez, a luta contra uma epidemia que insiste em voltar todos os anos.

A tragédia do homem de Campo Grande é um alerta. Por trás dos números e dos índices, há vidas interrompidas e famílias impactadas. A batalha contra o Aedes aegypti continua – e, para vencê-la, cada cidadão precisa fazer a sua parte.

Compartilhar

Escreva um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também

Neguinho da Beija-Flor: Musical Antirracista Celebra Ícone do Samba e sua Trajetória de Sucesso

Musical antirracista homenageia Neguinho da Beija-Flor, ícone do samba com 50 anos...

Pesquisa revela que a eleição para governador do Rio continua em aberto.

O levantamento Genial/Quaest aponta que 84% dos eleitores ainda não citaram espontaneamente...

Morre Brito: Lenda da Seleção Brasileira de 1970 é Sepultado na Ilha do Governador

Brito, tricampeão mundial pela seleção em 1970, falece aos 82 anos. Sepultamento...

Nove Shoppings da Barra Oferecem Áreas Especiais para Troca de Figurinhas da Copa

Nove shoppings da Barra, Recreio e Jacarepaguá oferecem áreas especiais para troca...