Era uma manhã abafada na Clínica da Família Estácio de Sá, no Rio Comprido, Zona Norte, quando o alerta veio: o Rio de Janeiro confirmou a primeira morte por dengue em 2025. A vítima, um homem de 38 anos, morador de Campo Grande, na Zona Oeste, é o retrato de uma tragédia anunciada, fruto da proliferação do Aedes aegypti. O levantamento mais recente revelou focos do mosquito em 0,74% das amostras coletadas em 100 mil domicílios, com destaque negativo para Campo Grande, Santa Cruz e Centro.
O secretário municipal de saúde, Daniel Soranz, não escondeu a preocupação. Com 756 casos confirmados de dengue neste ano, o levantamento revelou que metade das infecções tem origem dentro das casas dos próprios moradores. Os maiores vilões? Vasos de plantas, lixo acumulado, calhas entupidas e caixas d’água destampadas.
São depósitos pequenos, do tipo que a gente não presta muita atenção, mas são os principais criadouros. Apesar de termos uma situação mais confortável que a do ano passado, isso não significa que podemos relaxar. A dengue continua sendo uma ameaça real, afirmou Soranz.
Os sintomas, como febre alta, dores pelo corpo e na região dos olhos, devem ser tratados com seriedade. Clínicas da Família e Centros Municipais de Saúde já dispõem de testes rápidos para diagnóstico e início do tratamento. Segundo Soranz, o Ministério da Saúde promete abastecer todas as unidades básicas até o final de março.
Outro desafio é a imunização. Cerca de 100 mil crianças e adolescentes, de 10 a 14 anos, ainda não tomaram a segunda dose da vacina contra a dengue, que deveria ter sido aplicada três meses após a primeira. Para o secretário, a baixa adesão é preocupante e o prazo para a segunda dose se encerra no dia 31 de janeiro.
A gente não pode mais esperar. Caso os pais não levem seus filhos, essas vacinas vão ser destinadas a outras faixas etárias. É inadmissível deixar doses paradas enquanto outras pessoas aguardam a oportunidade de se proteger, enfatizou Soranz.
Em Guaratiba, na Zona Oeste, onde o índice de infestação é o maior da cidade, a imunização já foi ampliada para moradores entre 18 e 59 anos. Quem vive em Ilha, Pedra e Barra de Guaratiba, áreas mais críticas, pode e deve buscar a vacina, destacou o secretário.
Enquanto a cidade tenta equilibrar combate ao mosquito, assistência aos doentes e avanço na vacinação, a sensação é de que o tempo joga contra. Com os números crescendo e a resistência à imunização, o Rio enfrenta, mais uma vez, a luta contra uma epidemia que insiste em voltar todos os anos.
A tragédia do homem de Campo Grande é um alerta. Por trás dos números e dos índices, há vidas interrompidas e famílias impactadas. A batalha contra o Aedes aegypti continua – e, para vencê-la, cada cidadão precisa fazer a sua parte.
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