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Em ano de eleição, Governo Lula revoga taxa das blusinhas criada pela própria gestão

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Governo anuncia fim da taxa de importação sobre produtos de até US$ 50

O presidente Lula anunciou oficialmente que o governo federal vai extinguir o imposto de importação cobrado sobre produtos importados de até US$ 50 (R$ 244,50). O anúncio representa uma vitória significativa da ala política do Palácio do Planalto após meses de intenso debate interno sobre a medida conhecida como taxa das blusinhas.

A queda de braço dentro do governo

Desde o mês passado, o governo estava dividido quanto à revogação total da medida. De um lado, a ala política do Palácio do Planalto defendia a extinção total do imposto, liderada pela ministra Míriam Belchior, da Casa Civil, que anunciou a decisão ao lado do presidente. Também apoiaram a medida os ministros Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social, e José Guimarães, das Relações Institucionais.

Do outro lado, integrantes dos ministérios ligados à economia, especialmente o Ministério da Fazenda e o Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), resistiam à revogação. O vice-presidente Geraldo Alckmin também se posicionava contra, devido às pressões das empresas nacionais que se sentiam prejudicadas pela concorrência desigual.

Preocupações da equipe econômica

A equipe econômica argumentava que a eliminação total do imposto poderia comprometer sinais importantes de política fiscal, ainda que o impacto direto na arrecadação fosse limitado, já que o tributo arrecadava aproximadamente R$ 5 bilhões anualmente. Havia também discussões sobre possibilidades de escalonar a cobrança, com descontos para valores mais baixos, mas a visão do núcleo político prevaleceu.

Origem e contexto da taxa das blusinhas

A taxa de 20% foi criada em 2024 após reclamações do varejo nacional sobre compras abaixo de US$ 50 que chegavam ao Brasil sem cobrança de imposto. A medida foi aprovada pelo Congresso com votos que iam da direita à esquerda, buscando equilibrar a concorrência entre o comércio eletrônico estrangeiro e o varejo doméstico.

Um ano antes da criação dessa taxa, havia sido instituído o programa Remessa Conforme, um sistema que visava combater importações disfarçadas de remessas pessoais, viabilizando a efetiva cobrança do ICMS de 17% a 20% sobre essas operações.

Por que o governo mudou de posição

A decisão de eliminar a taxa reflete preocupações do Palácio do Planalto com a popularidade do presidente. Nos levantamentos internos do governo, a taxa das blusinhas era apontada como um dos principais pontos negativos, junto com segurança pública e combate à corrupção. A pressão política aumentou diante da competitividade das pesquisas de intenção de voto.

A ala política defendia que a revogação total teria impacto efetivo nas compras de valores mais baixos, fazendo diferença real no consumo de famílias de renda mais baixa, em um contexto de pressão sobre o custo de vida e alto endividamento que estava inibindo o consumo.

Desafios pela frente

Agora o governo terá de lidar com a reação do varejo doméstico, que passou a defender a tributação como forma de equilibrar a concorrência com plataformas estrangeiras. A medida provisória que extingue o imposto precisará ser confirmada pelos parlamentares a menos de seis meses das eleições.

É importante notar que, mesmo com o fim da taxa de importação, o ICMS sobre compras internacionais continua em vigor, mantendo alguma proteção para o varejo nacional que se sente prejudicado pela competição internacional.

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