Uma operação conjunta da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade e do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) colocou fim a uma obra irregular em plena Área de Proteção Ambiental (APA) Gericinó-Mendanha, em Campo Grande, Zona Oeste do Rio. O flagrante aconteceu nesta terça-feira (7) e revelou um cenário de degradação alarmante: supressão de vegetação em 5 mil metros quadrados e desvio do curso de uma nascente rara, onde foi escavado um possível açude de uso recreativo com cerca de 1 mil metros quadrados de espelho d’água.
O terreno invadido soma aproximadamente 10 mil m² e fica na zona de amortecimento do Parque Estadual do Mendanha. Nenhuma licença ambiental havia sido concedida para as intervenções. Segundo os agentes do Inea, a nascente estava completamente descaracterizada e cercada por vegetação de alto valor ecológico, que também foi eliminada no processo.
O responsável pela área foi conduzido à delegacia e pode responder criminalmente com base na Lei Federal nº 9.605/1998, que prevê detenção e multa para quem constrói em áreas de preservação sem autorização. A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) vai apurar se há outros envolvidos e investigar o objetivo final da obra.
Bernardo Rossi, secretário estadual do Ambiente, classificou a intervenção como um “dano incalculável ao patrimônio natural do estado”. Para ele, esse tipo de crime precisa de resposta firme:
— Vamos responsabilizar todos os envolvidos. Não aceitaremos que esse tipo de atentado ao meio ambiente continue impune — afirmou.
Andrei Veiga, chefe do Núcleo de Proteção Ambiental do Inea, disse que a suspeita é de que a área estivesse sendo preparada para funcionar como um espaço de lazer privado, possivelmente um resort clandestino.
— Eles desviaram uma nascente inteira para fazer um açude. Não há qualquer tipo de licença. Tudo indica que o uso seria para recreação. Vamos investigar se o homem que estava no local é de fato o único proprietário ou se há mais gente por trás disso — explicou Veiga.
A APA Gericinó-Mendanha se estende por mais de 7.900 hectares e abrange os municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu e Nilópolis. A área cumpre função essencial na proteção dos remanescentes de Mata Atlântica e de importantes cursos d’água que abastecem a região metropolitana.
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