O cenário político fluminense foi sacudido nesta semana por uma nova crise institucional envolvendo o alto escalão do governo de Cláudio Castro. O advogado e assessor da Secretaria estadual da Casa Civil, Victor Travancas, foi exonerado de seu cargo em uma edição extraordinária do Diário Oficial publicada na última quinta-feira (12 de março de 2026). A medida ocorreu poucas horas após Travancas disparar declarações explosivas, afirmando que o Palácio Guanabara — sede oficial do governo — funciona como um “gabinete do crime organizado”.
🎙️ A Faísca da Crise
As declarações foram dadas durante a participação de Travancas no podcast “Pode Garotinho?”, apresentado pelo ex-governador Anthony Garotinho. Na entrevista, o agora ex-assessor afirmou falar “como alguém de dentro”, alegando que a captura institucional do estado atingiu níveis sem precedentes. Travancas chegou a declarar que já havia solicitado sua própria exoneração por não compactuar com práticas que considera incompatíveis com a moralidade administrativa, mas que o governo estaria retardando o ato.
⚖️ O Perfil do Ex-Assessor
Victor Travancas é uma figura conhecida nos bastidores do poder no Rio de Janeiro por seu perfil combativo e, por vezes, controverso. Mestre e doutor em Direito Constitucional, ele já ocupou cargos em diferentes administrações, incluindo a gestão de Marcelo Crivella na prefeitura, onde também protagonizou denúncias contra o próprio governo.
Entre suas atuações de maior impacto, destacam-se:
- A ação judicial que afastou o filho de Crivella por nepotismo.
- Iniciativas de transparência que forçaram a divulgação de salários na prefeitura.
- Denúncias que deram origem às investigações sobre o escândalo da Fundação CEPERJ.
🔍 Defesa e Justificativa
Em nota oficial, Travancas reafirmou suas críticas, alegando que sua saída foi motivada por uma “impossibilidade ética”. Ele sustenta que há graves indícios de que o espaço de poder no estado foi permeado por interesses espúrios, exigindo uma investigação rigorosa das autoridades competentes. Por outro lado, críticos e membros do governo apontam o comportamento de Travancas como “confuso”, citando seu histórico de ingressar com ações judiciais contra colegas e retirá-las posteriormente.
A exoneração marca o fim de mais um ciclo conturbado na Casa Civil, deixando o governo Castro sob pressão para responder às acusações de “captura institucional” em um momento de fragilidade na segurança pública e na gestão política do estado.
Fonte: Tempo Real RJ / Berenice Seara
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