O uso de medicamentos injetáveis conhecidos como “canetas emagrecedoras” cresceu rapidamente no Brasil nos últimos anos — tanto para emagrecimento quanto para controle do diabetes. Com essa popularização, um termo novo começou a circular para descrever um possível efeito colateral observado especialmente em usos fora do perfil indicado: agonorexia.
Segundo explicação divulgada em reportagem recente, “agonorexia” é uma expressão usada para descrever um quadro parecido com anorexia, “motivado pelos remédios”. O termo ainda não é um diagnóstico oficial, mas vem sendo adotado para retratar situações em que a pessoa passa a ter perda importante da fome, aversão à comida e mudanças no estilo de vida que podem comprometer a saúde física e emocional.
Na prática, o alerta não é contra o tratamento quando bem indicado — ele é, principalmente, sobre uso sem necessidade real, sem acompanhamento e com expectativas estéticas de emagrecimento rápido.
Quem está mais vulnerável
De acordo com especialistas ouvidos na reportagem, o quadro aparece com maior frequência em pessoas que usam as canetas sem indicação médica, especialmente quando há:
- Busca por emagrecimento rápido
- Início com doses altas, sem a progressão recomendada
- Distorções de autoimagem
Esses medicamentos atuam em áreas do cérebro ligadas ao controle da fome e reduzem a sensação de prazer ao comer. Além disso, retardam o esvaziamento do estômago, aumentando a sensação de estômago cheio por mais tempo após as refeições. Esse conjunto de efeitos, fora de contexto e sem supervisão, pode se tornar perigoso.
Um ponto importante: os estudos de segurança foram conduzidos com pessoas que tinham obesidade ou diabetes. Fora desse perfil, cresce a preocupação com riscos como efeito sanfona e perda de qualidade do emagrecimento, com redução de massa magra (músculo).
Principais riscos associados
A agonorexia, quando se instala como comportamento persistente de restrição e queda extrema do apetite, pode trazer consequências relevantes, como:
- Perda expressiva de massa muscular
- Desnutrição
- Desidratação
- Fadiga
- Queda de desempenho físico
- Redução da imunidade
Especialistas alertam que, ao perceber uma diminuição extrema do apetite, a orientação é procurar um médico para reavaliar dose e continuidade do tratamento. O recado é claro: as canetas não são ferramentas estéticas, e o uso indevido pode gerar impactos graves e duradouros.
Entre benefício e risco: o papel do acompanhamento
Medicamentos como Wegovy e Mounjaro podem oferecer benefícios reais em pacientes com obesidade e diabetes, quando usados com indicação adequada e monitoramento. O problema começa quando o tratamento vira atalho, sem avaliação clínica, sem ajuste gradual e sem um plano que preserve nutrição, hidratação e massa muscular.
Em um cenário de pressão estética e promessas de “resultado rápido”, o risco é transformar um recurso terapêutico em um gatilho para comportamento alimentar perigoso. E, nesse caso, o alerta é menos sobre a caneta em si — e mais sobre como e por que ela está sendo usada.
Fonte: Metrópoles
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