A CPI do Crime Organizado aprovou a convocação dos ex-governadores Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro, e Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal. A comissão quer aprofundar a apuração sobre o caso Master, que envolve suspeitas de irregularidades financeiras, lavagem de dinheiro e uso de instituições bancárias para ocultar recursos de origem ilícita.
A CPI do Crime Organizado decidiu ampliar o alcance de suas investigações com a convocação de dois ex-governadores: Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, e Ibaneis Rocha, do Distrito Federal. A medida foi aprovada pela comissão no Senado e está ligada ao avanço das apurações sobre o caso Master, que reúne suspeitas de irregularidades em operações financeiras, lavagem de dinheiro e uso de estruturas bancárias para ocultação de valores de origem ilícita.

No caso de Ibaneis Rocha, o foco é a gestão do BRB e as negociações com o Banco Master. O relator da comissão, senador Carlos Vieira (MDB-SE), quer esclarecer quais critérios orientaram decisões do governo do Distrito Federal na condução dessas operações. Integrantes da CPI avaliam que há indícios de que decisões administrativas e políticas podem ter favorecido a atuação do grupo investigado, o que elevou a pressão por depoimentos de autoridades que ocuparam posições centrais nesse período.
Em relação a Cláudio Castro, a justificativa apresentada pelo relator vincula o depoimento ao cenário fluminense de segurança pública e à presença de estruturas criminosas complexas no estado. Na visão da comissão, o Rio se tornou um espaço-chave para compreender dinâmicas mais sofisticadas do crime organizado no país. Por isso, a oitiva do ex-governador foi tratada como medida necessária para o avanço dos trabalhos.
CPI do Crime Organizado
A convocação, em regra, impõe comparecimento obrigatório. Ainda assim, esse tipo de medida costuma gerar disputas judiciais. Pessoas chamadas por CPIs têm recorrido ao Supremo Tribunal Federal para tentar suspender depoimentos ou assegurar o direito de não responder a perguntas que possam produzir prova contra si. Em decisões anteriores, a Corte já reconheceu essa possibilidade em circunstâncias semelhantes.
Com a aprovação dos requerimentos, caberá agora à presidência da CPI definir as datas dos depoimentos e providenciar a notificação oficial dos convocados. A comissão também analisa novos pedidos de convocação e de quebra de sigilos bancário e fiscal, o que pode ampliar o escopo da investigação nas próximas semanas e incluir outros agentes públicos ou privados ligados ao caso.
Durante a mesma sessão, estava previsto o depoimento do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, mas ele não compareceu. A ausência acrescenta mais um elemento de tensão ao andamento da CPI, que trabalha com prazo determinado, embora exista a possibilidade de prorrogação mediante aprovação do plenário, caso os senadores considerem necessário aprofundar a investigação.
O relator sustentou que o Rio de Janeiro tem sido “laboratório das mais sofisticadas dinâmicas de crime organizado no país” e classificou a oitiva de Cláudio Castro como “absolutamente indispensável” para os trabalhos da comissão. A definição das próximas datas deve ocorrer em meio à discussão sobre novos requerimentos e ao eventual acionamento do STF por parte dos convocados.
Fonte: g1
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