A África do Sul escreveu um dos capítulos mais importantes de sua história em Copas do Mundo. Nesta quarta-feira, os Bafana Bafana venceram a Coreia do Sul por 1 a 0, em Monterrey, no México, e garantiram classificação inédita ao mata-mata do Mundial.
O gol da vitória foi marcado por Thapelo Maseko, no segundo tempo, em uma partida de tensão, entrega e muita resistência sul-africana. O resultado levou a seleção aos quatro pontos e confirmou a segunda colocação no Grupo A.
Pela primeira vez, a África do Sul conseguiu superar a fase de grupos de uma Copa do Mundo. Nas participações anteriores, em 1998, 2002 e 2010, quando foi anfitriã, a equipe havia parado ainda na primeira fase.
Desta vez, a história foi diferente. Depois de estrear com derrota para o México e empatar com a República Tcheca, a África do Sul chegou à última rodada pressionada, mas ainda viva. A missão era clara: vencer a Coreia do Sul para não depender de contas mais complicadas.
Do outro lado, a seleção sul-coreana entrou em campo em situação mais confortável. Com três pontos, a equipe asiática precisava de um empate para assegurar a segunda colocação do grupo e a vaga direta na próxima fase.
O início da partida mostrou justamente essa urgência sul-africana misturada à cautela sul-coreana. A Coreia do Sul teve uma grande chance logo nos primeiros minutos, mas não conseguiu transformar a pressão inicial em gol.
Aos poucos, a África do Sul cresceu. O time passou a ocupar melhor o meio-campo, encontrou espaços para acelerar e começou a incomodar a defesa adversária, principalmente com jogadas de velocidade.
Maseko viveu uma noite de redenção. Ainda no primeiro tempo, o atacante desperdiçou boas oportunidades e viu a ansiedade aumentar. Em uma delas, recebeu em boa condição, mas demorou para finalizar e acabou travado pela marcação.
Mesmo com as chances perdidas, a África do Sul não se desorganizou. A equipe manteve intensidade, ganhou confiança e mostrou maturidade para seguir atacando sem se expor em excesso.
A Coreia do Sul, por sua vez, passou a ter dificuldades para controlar o jogo. A entrada de Son Heung-min no segundo tempo deu mais peso ao ataque, mas não foi suficiente para mudar completamente o cenário da partida.
O momento decisivo veio aos 17 minutos da etapa final. Maseko recebeu passe de Relebohile Mofokeng dentro da área, girou sobre a marcação e bateu de canhota, no canto, para vencer o goleiro Kim Seung-gyu.
O gol explodiu a comemoração sul-africana. Para Maseko, foi o fim de uma noite que poderia ter sido marcada pelas chances perdidas. Para a África do Sul, foi o lance que abriu as portas de uma classificação histórica.
A partir daí, a partida mudou de tom. A Coreia do Sul se lançou ao ataque, acumulou jogadores no campo ofensivo e passou a pressionar em busca do empate que devolveria a vaga direta aos asiáticos.
A África do Sul recuou, mas não desabou. A equipe se fechou com disciplina, protegeu a área e apostou na força física para resistir aos cruzamentos, bolas longas e tentativas sul-coreanas.
Nos minutos finais, o drama aumentou. A Coreia do Sul teve grande oportunidade já nos acréscimos, quando Park Jin-seob apareceu livre na área e cabeceou com perigo. Ronwen Williams fez defesa decisiva e preservou o resultado.
A intervenção do goleiro foi tão importante quanto o gol de Maseko. Em uma partida decidida nos detalhes, Williams garantiu que o sonho sul-africano não escapasse nos últimos instantes.
Quando o árbitro apitou o fim do jogo, a comemoração tomou conta dos jogadores. A África do Sul havia conseguido algo inédito: sair da fase de grupos e colocar os Bafana Bafana entre as seleções classificadas ao mata-mata da Copa.
O resultado também definiu a situação do Grupo A. O México terminou na liderança, com campanha perfeita. A África do Sul ficou em segundo lugar, enquanto a Coreia do Sul encerrou a chave em terceiro e passou a depender de outros resultados para saber se continuaria viva entre os melhores terceiros colocados.
A República Tcheca, com apenas um ponto, acabou eliminada. Assim, a classificação sul-africana ganhou ainda mais peso, já que veio em um grupo equilibrado e com uma reação construída rodada a rodada.
Agora, a África do Sul terá pela frente o Canadá na segunda fase. O duelo será mais um teste histórico para uma seleção que já superou sua melhor campanha em Mundiais e entra no mata-mata com confiança renovada.
A vitória sobre a Coreia do Sul não foi apenas um resultado esportivo. Foi um marco para o futebol sul-africano, que esperou décadas para ver sua seleção avançar em uma Copa do Mundo.
No fim, Monterrey foi palco de uma noite inesquecível. Maseko fez o gol da classificação, Williams salvou nos acréscimos, e a África do Sul deixou o campo com a sensação de ter transformado pressão em história.
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