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O que é, o que é? A história da canção de Gonzaguinha que une Shakira e Maria Bethânia em Copacabana

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Um encontro improvável entre a pop e a MPB

O show de Shakira na Praia de Copacabana reuniu figuras inesperadas do cenário musical brasileiro. Durante o ensaio, a presença dos irmãos Maria Bethânia e Caetano Veloso chamou atenção por representar uma fusão rara: a diva pop internacional com lendas vivas da Música Popular Brasileira. Enquanto Caetano acompanhou Shakira em “O leãozinho”, Maria Bethânia dividiu o palco para interpretar “O que é, o que é?”, o clássico de Gonzaguinha que transcende gerações e culturas.

A origem de um clássico atemporal

Lançada em 1982 no disco “Caminhos do Coração”, “O que é, o que é?” nasceu da autoria de Gonzaguinha, um compositor que transformava questões filosóficas em melodias memoráveis. A faixa-título do álbum dividiu espaço com outros sucessos como “Felicidade”, consolidando o trabalho como marco na carreira do artista. Aquela canção que convida à reflexão sobre viver sem vergonha de ser feliz rapidamente conquistou intérpretes de diferentes gerações e estilos musicais.

Gravações memoráveis ao longo dos anos

“O que é, o que é?” ganhou novas roupagens nas vozes de Beth Carvalho, Ana Costa, Diogo Nogueira, Maria Rita, Zé Ramalho, Padre Fábio de Melo e Bruna Caram, entre outros. Cada interpretação revelava camadas diferentes da composição, demonstrando sua versatilidade. A música provou ser um veículo perfeito para diferentes gêneros e estilos, mantendo sua essência filosófica intacta.

Expansão internacional e reinterpretações

Durante a pandemia, a canção ganhou novo significado ao ser regravada em espanhol de forma “mântrica” pelo grupo argentino Indra Mantras. Mais recentemente, o popstar uruguaio Jorge Drexler levou a composição para o candombe, ritmo afro-uruguaio, em seu disco “Taracá” lançado em março. Drexler reconheceu na obra questões ontológicas e filosóficas profundas, comparando sua estrutura a reflexões filosóficas mais comuns em livros do que em canções.

A visão de Jorge Drexler sobre a obra

Ao comentar sobre sua reinterpretação, Drexler destacou como a música o tocava durante rodas de samba no Brasil, funcionando como momento de elevação espiritual. Ele admirou particularmente a arquitetura da composição: iniciando com um refrão grandioso, passando por partes menores que atravessam estágios de dor e perplexidade, retornando à celebração final. Para o artista, a criança que oferece a resposta a Gonzaguinha representava pensadores como Baruch Espinosa.

Legado contínuo de Gonzaguinha

Trinta e cinco anos após sua morte em acidente de carro, Gonzaguinha mantém popularidade crescente, com mais de 1,5 milhão de ouvintes mensais no Spotify. Seu filho, Daniel Gonzaga, enfatiza o lado político presente mesmo em composições românticas, destacando como o pai driblava censura através de metáforas brilhantes. Para Daniel, a genialidade de Gonzaguinha reside em seu “humor fino e cáustico”, abordando temas do dia a dia: o trabalhador, a fila do ônibus, a vida das pessoas comuns.

Reconhecimento histórico no Carnaval

“O que é, o que é?” conquistou um lugar histórico no Carnaval carioca ao ser escolhida como samba-enredo do Império Serrano em 2019, única ocasião em que uma música preexistente foi levada à avenida por uma grande escola. A canção é a composição mais gravada de Gonzaguinha, superando sucessos como “É”, “Começaria tudo outra vez” e “Explode coração”.

Uma celebração de vida no palco de Copacabana

Na noite do show, aproximadamente um milhão de pessoas presenciaria ao vivo “O que é, o que é?” na voz de Maria Bethânia ao lado de Shakira. Daniel Gonzaga descreve a música como síntese de uma visão de vida em três ou quatro minutos, um hino que sintetiza fé, parceria e celebração da existência. É uma grande pergunta que ecoa na cabeça dos brasileiros, afirmando que a vida é bonita, uma mensagem que continua ressoando de Santo Amaro da Purificação a Barranquilla e além.

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