Por : Jessika Shumacker – Jurídico do CEAM , Membro da OAB Mulher Itaguaí , Mestranda em desenvolvimento territorial e políticas públicas (UFRRJ), Pós-graduada em direito público, direito do trabalho, direito militar, direito penal e violência doméstica
Por que um homem ter várias mulheres é mais comum do que uma mulher ter vários homens? Por que um homem que tem um relacionamento fora do casamento tem que ser perdoado por ele ser homem? Por que um homem cuidando do seu filho é admirável, enquanto uma mulher que cuida do filho é uma obrigação? Por que a violência contra a mulher é mais comum do que a violência contra o homem?
São tantas perguntas sem respostas plausíveis, respostas essas que se encontram no machismo estrutural.
O poder é relacional, iniciando nas famílias e se concretizando nas demais relações. Quando o poder ultrapassa os seus limites, o machismo encontra espaço, exercendo o poder sem respeito, sem racionalidade, e sem empatia.
Desse modo, os autores de violência exercem o poder de forma relacional, aceitos em pequenos atos a partir do machismo estrutural, os quais corroboram para a ramificação da violência doméstica no exercício do poder nas relações afetivas, sem qualquer afeto.
Atualmente o exercício de poder nos relacionamentos são inenarráveis, ultrapassando as mulheres, atingindo os filhos e a família. Os homens, por sua vez, não atingem apenas as mulheres, eles matam os filhos e a família delas, o que resultou no amparo legal, com a Lei do vicaricídio (Lei n.15.384/2026).
É possível perceber o avanço legal no que diz respeito ao reconhecimento dessa violência, no entanto o exercício do poder a partir do ato de matar, realizado pelos homens, é um retrocesso.
Para não haver o vicaricídio, é necessário que os homens nos respeitem e parem de matar os nossos familiares para que não morramos.

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