O MPRJ investiga Rioprevidência por empréstimos consignados e investimentos superiores a R$ 100 milhões em instituições financeiras não credenciadas. O órgão deu prazo de cinco dias para o fundo previdenciário apresentar estudos técnicos, atas e procedimentos administrativos que embasaram as operações.
O Ministério Público do Rio de Janeiro abriu uma nova frente de apuração sobre operações do Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores estaduais. O foco agora está em empréstimos consignados e investimentos de mais de R$ 100 milhões feitos em instituições financeiras não credenciadas, além de aplicações em fundos específicos citados na investigação.
A iniciativa partiu do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do MPRJ, que encaminhou ofício ao fundo previdenciário. No documento, o órgão determinou que o Rioprevidência apresente, em até cinco dias, estudos técnicos, atas de reuniões e procedimentos administrativos que sustentaram as aplicações em instituições não credenciadas e nos fundos Linea Fundo de Investimento Financeiro Renda Fixa Prazo Longo Responsabilidade Limitada, R CAP Soberano e R CAP Alocação.
A apuração ocorre em paralelo a uma investigação já conduzida pela Polícia Federal sobre a aplicação de cerca de R$ 970 milhões de recursos da autarquia em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. Nesse contexto, o então presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso em uma fase da Operação Barco de Papel e, posteriormente, teve a prisão preventiva mantida pelo STJ.
MPRJ investiga Rioprevidência
O Ministério Público também quer esclarecimentos sobre a situação dos empréstimos consignados contratados por servidores e pensionistas junto ao Credcesta, administrado pelo Banco Master. Além disso, cobra informações sobre a eventual oferta de outro instrumento de crédito ligado a estruturas negociais envolvendo o próprio fundo, o Banco Master ou outros agentes financeiros, como o Banco Pleno, que também está em liquidação extrajudicial.
Caso exista esse tipo de operação, o MPRJ pede a interrupção imediata de novos contratos, sob o argumento de proteção do patrimônio previdenciário e dos segurados. A discussão ganhou peso porque os investimentos investigados teriam sido feitos em 24 e 29 de dezembro de 2025, mesmo após o Ministério Público já ter recomendado medidas para preservar os recursos do fundo e tentar recuperar perdas decorrentes da liquidação extrajudicial do Banco Master.
A investigação da PF, iniciada em novembro de 2025, apura nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024. Os crimes sob análise incluem gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução em erro de repartição pública, fraude à fiscalização ou ao investidor, além de associação criminosa e corrupção passiva.
Em manifestação anterior citada no conteúdo, o Rioprevidência afirmou que os pagamentos de aposentadorias e pensões estavam garantidos e que não haveria risco para os segurados do Estado do Rio. Segundo o fundo, a folha mensal da autarquia gira em torno de R$ 1,9 bilhão. Nesta nova apuração, porém, o órgão ainda não havia respondido ao contato feito para comentar o novo ofício do Ministério Público.
Fonte: CNN Brasil
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