O Botafogo venceu o Boavista por 2 a 0 na noite de sábado (21/02), em Saquarema, no jogo de ida da semifinal da Taça Rio 2026, e encerrou uma sequência indigesta de seis derrotas consecutivas. O placar, construído com gols de Justino (aos 43 do 1º tempo) e Artur (a 1 minuto do 2º tempo), não é só um resultado: é um respiro político e emocional para um elenco pressionado — e um recado de que, em certos momentos, a solução estava onde o clube menos olhava: na base e nos reservas.
O roteiro do jogo, porém, não permite oba-oba. O Boavista começou pressionando e levou perigo, mostrando que o Botafogo ainda oscila quando é testado no início. A diferença é que, desta vez, o time encontrou organização para atravessar o pior momento e foi eficiente quando a chance apareceu. O que chama atenção é o simbolismo: Justino, zagueiro jovem, foi capitão e marcou seu primeiro gol como profissional. Artur, além do gol, ainda registrou assistência, sendo apontado como um dos melhores em campo.
Há mérito do técnico Martín Anselmi ao apostar em uma equipe alternativa — escolha arriscada em qualquer clube grande quando a pressão já está no limite. Mas a vitória também funciona como crítica interna: se jovens conseguem entregar intensidade, disciplina e fome de bola, por que o time principal deixou a temporada entrar em espiral? A Taça Rio pode até ser tratada por parte da torcida como torneio “menor”, mas o Botafogo transformou a competição em algo valioso: laboratório em meio à crise.
Outro ponto relevante foi a estreia do volante Edenílson, que adiciona experiência e pode ser peça útil justamente no que o Botafogo mais precisa agora: equilíbrio mental e controle de jogo nos momentos de turbulência.
Com o resultado, o Alvinegro ganha vantagem para a volta (podendo perder por até um gol e ainda avançar, segundo o cenário descrito na cobertura). Só que o foco real já tem data e hora: quarta-feira (25/02), às 21h30, no Nilton Santos, contra o Nacional Potosí, pela Libertadores. A missão é pesada: o Botafogo precisa vencer por dois gols de diferença para seguir vivo. Ou seja, a vitória sobre o Boavista ajuda, mas não resolve — ela apenas impede que o clube chegue ao jogo decisivo em estado de pânico.
O recado final é simples e incômodo: ganhar foi obrigação; jogar com intensidade deveria ser regra. Se a base “ensinou o caminho”, como apontou o próprio ambiente do clube, a pergunta que fica é quem, entre os titulares, vai ter coragem de seguir essa trilha quando o estádio estiver cheio e a Libertadores cobrar a conta.
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