O prefeito interino de Itaguaí, Haroldo Jesus, publicou um vídeo nas suas páginas pessoais de redes sociais – por volta das 18h desta quarta-feira (12) – para denunciar o que ele considera um esquema de sabotagem dos seus adversários políticos. Haroldo incluiu em um mesmo contexto um suposto boicote da empresa contratada para coletar o lixo na cidade, a Plural; os incêndios que aconteceram em prédios públicos e uma publicação impressa que acusa o governo interino de nepotismo nas contratações de cargos comissionados.
PREFEITURA ESTÁ EM DIA COM PLURAL, DIZ HAROLDO
Haroldo fez o pronunciamento em tom de desabafo.
Primeiro, ele se referiu à Plural como uma empresa conivente com uma intenção política de prejudicar o governo interino. A deficiência do serviço de coleta de lixo, que mereceu postagens e reclamações da população nas redes sociais, é, para Haroldo, proposital.
Segundo ele, a alegação de que o serviço tem sido realizado de modo parcial por falta de pagamento da prefeitura é falsa. “Os pagamentos estão em dia, inclusive pagamos de modo adiantado, hoje mesmo pagamos R$ 2,1 milhões a essa empresa. E eles dizem para os trabalhadores que não recebem porque a prefeitura não pagou. Isso é mentira”, declarou.

O prefeito interino disse que irá nesta quinta-feira (13) à Câmara Municipal com documentos para provar que o município está em dia com a Plural, e mencionou que instará o Legislativo a abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito, se eles entenderem ser necessário. “Não tem um rabo preso com empresário algum, com contrato nenhum”, afirmou.
Categórico, ele disse que vai exibir provas de que os pagamentos estão em dia e que não há motivo algum para a empresa se eximir de cumprir com a sua obrigação contratual.
A Oro TV – Grupo PRA entrou em contato com o responsável pela Plural para rebater as acusações, mas não obteve resposta até a publicação dessa matéria. O espaço segue disponível para isso.
INCÊNDIOS COMO SABOTAGEM
Para o prefeito interino, os problemas que a Plural tem causado a Itaguaí fazem parte de um conjunto de ações orquestradas que têm como único objetivo desmoralizar o seu governo e apontá-lo como um político que visa somente a eleição suplementar, que pode acontecer caso os revezes jurídicos de Rubem Vieira (o Rubão) se mantenham.
Os incêndios recentes que acometeram prédios públicos em Itaguaí fazem parte da trama, segundo Haroldo. Eles são os seguintes: na sede das secretarias de Saúde e Educação, no Morro do Corte – em 10 de fevereiro; em um depósito que abrigava materiais da secretaria de Educação, ao lado da sede – em 2 de março e na escola municipalizada Carmem Menezes, em Brisamar – em 6 de março.
Em outro pronunciamento nas redes sociais, Haroldo já havia dito que procurou a Polícia Civil e o governo do estado do Rio de Janeiro para formalizar denúncias depois que se constatou que havia indícios de fogo provocado.
O anúncio de perseguição política e sabotagem, portanto, não é novo.
Algumas postagens de populares nas redes sociais narram que um indivíduo teria atirado um galho em chamas por cima do muro da Escola Municipalizada Carmem Menezes. Nada disso, por enquanto, é confirmado pela Polícia. O governo interino também não apresentou a formalização da denúncia para a imprensa.
PARA HAROLDO, JORNAL IMPRESSO “É UMA VERGONHA”
O prefeito interino mostrou no vídeo uma publicação impressa que, segundo ele, circula na cidade. Trata-se de um jornal intitulado “Jornal Povo” que exibe manchete e matéria que acusa Haroldo Jesus de prática de nepotismo na Prefeitura de Itaguaí.

A Oro TV – Grupo PRA teve acesso a prints da publicação, que tem data de 12 de março de 2025. Apesar de sinalizar no seu cabeçalho que existe há 8 anos, não há conhecimento de que tal jornal tenha circulação em Itaguaí durante esse período, o que pode sim sinalizar um certo oportunismo político.
“Prefeito não eleito faz festa com nomeações de parentes” – esta é a manchete que revoltou Haroldo. Nas páginas internas, matéria de meia página (o jornal tem formato Berliner, compacto) com a seguinte manchete: “Nepotismo na Prefeitura de Itaguaí”.
A respeito do jornal, Haroldo foi contundente e enfático: “Meu pai não é contratado da prefeitura, esse jornal é uma vergonha”. Segundo ele, o jornal é mais uma evidência de que há uma organização com objetivo de prejudicá-lo politicamente. Ele foi claro ao dizer que não tem pretensões políticas além de “cumprir com a obrigação sucessória da qual posso sair a qualquer momento e voltar a ser presidente da Câmara, caso haja eleição, que a população decida o melhor”.

A TV Oro fez uma busca na internet e encontrou um site correspondente à publicação impressa, pois tem o mesmo nome e logotipo. A versão online datada do dia 12 somente entrou no site na quinta-feira (13). No Expediente constam os profissionais responsáveis: Carlos Novinho – editor e Marcos Silva – jornalista. O Conselho Editorial do “Jornal Povo” é composto por Luciano Araujo e Noah Correia e o endereço é na Rua México, 31, sala 703 – Centro do Rio de Janeiro.

A publicação peca ao não obedecer aos preceitos fundamentais do bom jornalismo na matéria, pois não solicitou posicionamento do governo interino sobre as contratações que aponta como indevidas. Da mesma maneira, aponta como secretário de Saúde o irmão de Haroldo, o que já não se verifica há pelo menos duas semanas: Luís Roberto Jesus foi substituído por Marcelo Rocha, fato facilmente verificável por uma consulta ao Jornal Oficial de Itaguaí.
O tom é de acusação, e não de denúncia ou esclarecimento.
O governo de Haroldo Jesus tem posicionamento oficial a respeito das contratações que foram apontadas por alguns veículos de imprensa como “questionáveis”, mas os responsáveis pelo Jornal O Povo não cumpriram com um requisito fundamental, que é perguntar e publicar a resposta.
Para Haroldo, as maquinações estão claras e crescentes porque seu governo equilibrou as finanças e colocou os pagamentos em dia. Sem eleições marcadas com o adiamento do julgamento de terça-feira (11) do recurso de Rubem Vieira no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as tempestades políticas tendem também a crescer.
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