O tabuleiro político do governo Lula está prestes a mudar. O presidente tem sinalizado a assessores e ministros que a reforma ministerial acontecerá em etapas, com a primeira fase focada nos gabinetes do Palácio do Planalto. As movimentações devem ser concluídas antes do Carnaval, enquanto as demais mudanças devem se desenrolar ao longo dos próximos meses.
A dança das cadeiras já começou. Paulo Pimenta foi substituído por Sidônio Palmeira na Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), e a troca do ministro Márcio Macêdo pela deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) na Secretaria-Geral do Planalto é tratada como certa. Já a Secretaria de Relações Institucionais, fundamental para o diálogo com o Congresso, está na mira do Centrão, que pressiona por um nome alinhado aos interesses do bloco.
Se Lula ceder à pressão, o atual ministro Alexandre Padilha pode ser deslocado para o Ministério da Saúde, substituindo Nísia Trindade. O presidente tem cobrado dela uma solução para reduzir as filas de espera no Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo a utilização da rede privada para suprir a demanda. Mas a proposta não avançou. Entre os cotados para o cargo, além de Padilha, está o ex-ministro Arthur Chioro.
Na segunda etapa da reforma, o foco será nos ministérios ocupados pelo PT. As pastas das Mulheres, do Desenvolvimento Agrário e do Desenvolvimento Social estão sob avaliação. O Ministério do Desenvolvimento Social, comandado por Wellington Dias, pode ser entregue ao Centrão, dependendo do desfecho das negociações para a Secretaria de Relações Institucionais. O deputado José Guimarães (PT-CE) surge como candidato ao posto, e há articulações para que Edinho Silva assuma a presidência do PT. Outro nome que circula nos bastidores é o de Jaques Wagner (PT-BA), que, se for deslocado para um ministério, abriria espaço na liderança do Senado.
A terceira fase da reforma mexeria nos ministérios de partidos aliados, como o Ministério da Pesca, ocupado por André de Paula (PSD), e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A Agricultura, hoje nas mãos de Carlos Fávaro (PSD), é uma das pastas cobiçadas pelo Centrão. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), aparece como um dos principais cotados para assumir o cargo.
Apesar da pressão política, Lula tem seus limites. Alguns ministros são considerados intocáveis. Rui Costa, da Casa Civil, e Alexandre Silveira, de Minas e Energia, são dois nomes que permanecem blindados.
Nos bastidores do Planalto, há uma urgência para que a reforma aconteça o quanto antes. Assessores próximos ao presidente defendem que as mudanças sejam finalizadas antes do Carnaval, garantindo um novo desenho político para o restante do mandato. Mas, como sempre na política, os planos podem mudar conforme as negociações avançam.
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